Tendo em conta que a maioria dos produtos alimentares nos supermercados são processados, contendo ingredientes que muitos deles são cancerígenos, é importante saber como os rótulos dos fabricantes tentam ludibriar os consumidores mais incautos.
A indústria alimentar raramente
menciona a realidade de forma direta. O truque está em dizer a verdade
de forma estratégica, omitindo o que realmente interessa. Eis alguns
dos exemplos mais comuns usados para confundir o consumidor comum.
1. “Não tem gorduras
trans”… mas tem óleo de palma
As gorduras trans podem não aparecer no rótulo, mas o produto contém óleo de
palma refinado, que durante o processamento gera compostos com efeitos
metabólicos muito semelhantes. Legalmente está tudo certo, nutricionalmente é
outra história.
Exemplo prático:
·
Bolachas
“sem gorduras trans”
·
Lista de
ingredientes: óleo de palma refinado
2. “Sem açúcar” … mas
cheio de açúcares com outros nomes
O rótulo pode dizer “sem açúcar”, mas isso refere-se apenas à sacarose. Na
prática, o produto pode conter vários tipos de açúcares disfarçados.
Exemplos comuns de
disfarce:
·
Xarope de
glucose
·
Maltodextrina
·
Xarope de milho
·
Néctar de
agave
·
Frutose
Quando aparecem vários destes
nomes, o efeito no organismo é semelhante ao do açúcar comum.
3. Porções irreais para
esconder os números reais
A informação nutricional é apresentada com base numa porção tão pequena que
ninguém consome só aquilo.
Exemplo prático:
·
Cereais “com
apenas 90 kcal por dose”
·
A dose é 30
g, mas a maioria das pessoas consome 60–90 g
O consumidor pensa que está a
fazer uma escolha equilibrada, quando não está.
4. Destaque de um
benefício para esconder o problema maior
O rótulo chama a atenção para algo positivo e ignora o resto.
Exemplos típicos:
·
“Rico em
fibra” → mas também rico em açúcar
·
“Fonte de
proteína” → mas com gorduras de má qualidade
·
“Com
vitaminas” → mas altamente ultraprocessado
O olho vai para o benefício. O
problema fica em segundo plano.
5. Ingredientes
“milagrosos” em quantidades simbólicas
O produto usa palavras chamativas para criar uma imagem saudável, mesmo que a
quantidade seja irrelevante.
Exemplo prático:
·
“Com frutos
vermelhos”
·
“Com
sementes”
·
“Com
superalimentos”
Na lista de ingredientes, esses
elementos aparecem quase no fim, o que significa que estão lá em quantidades
mínimas, sem impacto real.
6. “Natural”, “caseiro”
ou “tradicional”
Estas palavras não garantem qualidade nutricional. São termos de marketing, não
clínicos.
Exemplo prático:
·
“Bolo
tradicional”
·
“Sopa
caseira”
·
“Receita da
avó”
Podem continuar a ser ricos em
açúcar, sal, óleos refinados e aditivos.
7. “Plant-based” ou
“vegano” não significa saudável
Um produto pode ser de origem vegetal e ainda assim ser altamente processado.
Exemplo prático:
·
Hambúrguer
vegetal ultraprocessado
·
Bebida
vegetal com óleos refinados, açúcares e estabilizantes
A ausência de ingredientes de
origem animal não transforma automaticamente um produto numa boa escolha
nutricional.
8. Listas de ingredientes
longas e confusas
Quanto maior e mais técnica for a lista, maior a probabilidade de ser um
produto ultraprocessado.
Regra simples para
leigos:
·
Se não
reconhece metade dos ingredientes como comida “real”, é um sinal de alerta.
Em resumo (ideia-chave):
A indústria não engana dizendo mentiras. Engana escolhendo
cuidadosamente o que mostrar e o que esconder.
Para o consumidor comum, a melhor defesa é:
·
Ler a lista
de ingredientes
·
Desconfiar
de slogans bonitos

