sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Sem-prostata-penis-nao-funciona-sexualmente

 

A afirmação «sem próstata o pénis não funciona sexualmente» transmite um receio compreensível, mas não está correcta se for entendida como uma regra absoluta. A próstata participa na produção do líquido seminal e fica muito próxima dos nervos e vasos essenciais à erecção. Porém, o pénis pode continuar capaz de ter erecção, orgasmo e actividade sexual depois de uma prostatectomia total. O que muda, e por vezes de forma importante, depende do motivo da cirurgia, da técnica utilizada, da idade, da função sexual antes da operação e da preservação dos nervos.

Para o homem com sintomas de próstata aumentada, esta distinção é especialmente útil: uma prostatectomia radical, em regra associada ao tratamento do cancro da próstata, não é o mesmo que uma cirurgia para hiperplasia benigna da próstata, ou HBP. São intervenções diferentes, com objetivos e consequências diferentes.




Sem próstata, o pénis não funciona sexualmente?

Por vezes, quando há nervos atingidos. A próstata não é o órgão que cria a erecção. A erecção acontece quando o sangue entra e fica retido nos corpos cavernosos do pénis, através de sinais nervosos e de uma boa circulação. Os nervos responsáveis por esse mecanismo passam muito perto da próstata. É precisamente essa proximidade que explica o risco de disfunção eréctil após uma cirurgia radical.

Se os feixes nervosos puderem ser preservados durante a operação, a probabilidade de recuperação sexual tende a ser melhor. Mas a preservação nem sempre é possível ou segura, sobretudo quando o tumor está junto desses nervos. Mesmo numa cirurgia tecnicamente bem-sucedida, a recuperação pode demorar meses ou mais tempo, porque os nervos podem sofrer estiramento, inflamação ou lesão temporária.

Também é essencial separar erecção de ejaculação. Depois da remoção completa da próstata e das vesículas seminais, o homem pode sentir orgasmo, mas deixa de ejacular sémen. Chama-se orgasmo seco. Isto não significa ausência de prazer, mas significa infertilidade natural após a intervenção.

O que está correcto e o que precisa de ser corrigido

A frase original reúne efeitos possíveis com conclusões demasiado definitivas. Há riscos reais, mas não acontecem todos a todos os homens, nem têm a mesma causa.

A impotência, hoje mais frequentemente chamada disfunção eréctil, pode ocorrer após prostatectomia radical. A sua frequência varia muito. Um homem mais jovem, com boas erecções antes da cirurgia, sem diabetes, tabagismo ou doença cardiovascular e submetido a uma técnica com preservação nervosa tem, em geral, melhores perspectivas do que um homem com factores de risco acumulados. A experiência da equipa cirúrgica também conta.

A diminuição do comprimento peniano pode ser percebida por alguns homens, sobretudo nos primeiros meses. Pode resultar de alterações na anatomia pélvica, da ausência de erecções regulares durante a recuperação e de fibrose. Não é inevitável, nem é necessariamente permanente na mesma proporção. A reabilitação sexual orientada cedo pode ajudar a reduzir este problema.

Já a ideia de que «o tecido do corpo cavernoso passa a ser cartilaginoso» não é medicamente rigorosa. O tecido não se transforma em cartilagem. O que pode acontecer, perante falta prolongada de oxigenação e de erecções, é fibrose: formação de tecido mais rígido e menos elástico. Essa alteração pode dificultar a expansão dos corpos cavernosos e comprometer a qualidade da erecção. É uma razão para discutir a reabilitação peniana com o urologista, em vez de simplesmente esperar que a função regresse sozinha.

A doença de Peyronie corresponde à formação de uma placa fibrosa no pénis, que pode causar curvatura, encurtamento, dor e dificuldade eréctil. Pode surgir após prostatectomia, mas não é uma consequência obrigatória nem deve ser apresentada como destino certo. Qualquer curvatura nova, dor numa erecção ou zona endurecida merece observação por um urologista.

Prostatectomia total e cirurgia à próstata não são sinónimos

Para tratar sintomas da próstata aumentada, como urinar muitas vezes à noite, jacto urinário fraco, urgência urinária ou sensação de esvaziamento incompleto, raramente se remove toda a próstata. Na HBP, as cirurgias procuram normalmente retirar ou reduzir a parte da próstata que obstrui a uretra, preservando o restante órgão e as estruturas envolvidas na continência e na função sexual.

Ainda assim, qualquer cirurgia à próstata pode ter efeitos na vida íntima. A ejaculação retrógrada, por exemplo, é relativamente frequente em alguns procedimentos para HBP. Neste caso, o sémen segue para a bexiga em vez de sair pelo pénis. A sensação de orgasmo pode manter-se, mas a fertilidade pode ser afectada. O risco de disfunção eréctil após cirurgia para HBP existe, embora seja habitualmente menor do que após prostatectomia radical.

Por isso, antes de aceitar uma intervenção, convém fazer perguntas directas: qual é exactamente a cirurgia proposta, porque é necessária, que alternativas existem, qual é o risco pessoal para erecção, ejaculação e continência, e que plano de recuperação será seguido? Uma resposta clara permite decidir com menos medo e mais controlo.

Recuperar a função sexual exige acompanhamento

A recuperação não deve ser tratada como uma questão de força de vontade. Quando há indicação, o médico pode propor medicamentos para favorecer a erecção, dispositivos de vácuo, injecções penianas ou outras opções. Em situações persistentes, existem tratamentos adicionais. A escolha depende do estado cardiovascular, dos medicamentos habituais e das preferências do casal.

Manter uma conversa aberta com a parceira ou parceiro também faz diferença. Nos primeiros tempos, a relação sexual pode precisar de ser redefinida sem pressão imediata para penetração. O desejo, o toque, o orgasmo e a intimidade não desaparecem automaticamente por haver uma cirurgia. A ansiedade de desempenho, pelo contrário, pode agravar uma dificuldade física já existente.

A continência urinária merece igual atenção. Perdas de urina após prostatectomia podem afectar a confiança e levar o homem a afastar-se sexualmente. Exercícios do pavimento pélvico, quando ensinados de forma adequada, fazem parte da recuperação de muitos doentes.

Quando a preocupação é próstata aumentada

A HBP é comum a partir dos 40 anos e não significa cancro. Muitos homens conseguem controlar os sintomas da próstata aumentada sem cirurgia, conforme a intensidade das queixas, o tamanho da próstata, os resultados dos exames e a existência ou não de complicações. Reduzir álcool à noite, moderar café, evitar grandes quantidades de líquidos antes de deitar e rever medicamentos que possam dificultar a micção são medidas simples que podem ajudar alguns casos.

Existem ainda medicamentos prescritos pelo médico e alternativas naturais para próstata aumentada que podem ser consideradas como apoio, nunca como substituto de diagnóstico. Ingredientes como Serenoa repens, também conhecida por saw palmetto, Pygeum africanum e Urtica dioica são procurados por homens que querem cuidar da saúde da próstata com uma rotina prática. Os resultados variam de pessoa para pessoa, e um suplemento não deve prometer tratar cancro, desfazer uma obstrução grave ou evitar uma cirurgia que seja clinicamente necessária.

O SSP3-Forte foi desenvolvido para homens que procuram apoio natural para o conforto urinário e para os sintomas associados à HBP. Deve ser usado de acordo com as indicações, integrado num plano responsável de acompanhamento da próstata.

Procure avaliação médica sem adiar se tiver sangue na urina, incapacidade de urinar, febre com ardor urinário, dor intensa, perda de peso inexplicada ou agravamento rápido dos sintomas. Estes sinais não devem ser tratados apenas com suplementos ou mudanças de hábitos.

A mensagem mais justa é esta: a prostatectomia total pode alterar profundamente a ejaculação e pode afectar a erecção, o comprimento peniano e a elasticidade dos tecidos, mas não significa que o pénis deixe inevitavelmente de funcionar sexualmente. Conhecer o diagnóstico, confirmar o tipo de cirurgia e falar cedo sobre preservação e recuperação sexual é a melhor forma de proteger a qualidade de vida.

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