segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

2 - AS COMPLICAÇÕES DA PRÓSTATA NÃO TÊM DE SER UMA PARTE NORMAL DO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO

Quando jovem, ou até quando se é um adolescente, pode-se ficar dolorosamente ciente da próstata quando se sofre o primeiro ataque de prostatite, uma inflamação da glândula prostática muito comum e facilmente tratada que pode ser causada por infecções, congestão, irritação ou uma combinação das três coisas. Segundo um estudo feito pelo Centro Nacional de Saúde para as Estatísticas da Saúde, 20% a 25% de todas as visitas ao urologista são devidas a uma prostatite. Os sintomas desta condição incluem uma micção mais frequente e dolorosa e um fluxo urinário hesitante.



A prostatite aguda é causada por microorganismos ou bactérias que invadem a próstata. Muitas destas infecções são causadas por bactérias que passam através do sangue ou são causadas por uma fraca higiene pessoal (especialmente em homens não circuncidados). Outra causa comum de prostatite (como por exemplo prostatite fungíca ou prostatite gonorreica) é o contacto sexual com alguém que tenha uma infecção vaginal - mais uma razão para utilizar preservativos. Por outro lado, não se conhece a causa da prostatite não infecciosa.



Além da prostatite, outro problema comum da próstata é a hipertrofia, também conhecida como Hiperplasia Prostática Benigna (HBP). Segundo as estatísticas, a HBP aparece em mais de 50% dos homens com mais de 50 anos, em mais de 75% dos homens com mais de 80 e em 90% dos homens com mais de 90 anos. Na maior parte destes casos, os sintomas não são sérios e pode ser tratada com êxito sem medicamentos - por vezes até sem ver um médico. Há então alguma razão para se fazerem mais de 300.000 operações a casos de HBP por ano?



Há alguma razão para que centenas de milhares de homens que já estão a sofrer os problemas da meia-idade tenham que ser sobrecarregados com impotência, infertilidade e incontinência?



A resposta é simples: Não!



Causas possíveis e factores de risco



Ninguém sabe exactamente porquê ou como se desenvolve a HBP, apesar de que sabemos que as mudanças hormonais são um factor contribuinte. Uma teoria aponta o dedo para o estrogénio, a hormona feminina que é produzida em pequenas quantidades juntamente com a testosterona pelos testículos. À medida que se envelhece, o nível de testosterona diminui - possivelmente causando o aumento do nível de estrogénio e HBP. Por outro lado, há quem acredite que a HBP é causada

pela acumulação de demasiada testosterona. Uma vez que entra na próstata, a testosterona é convertida em dihidrotestosterona (DHT) pela redutase-5-alfa. Tem-se verificado que este potente composto pode causar uma excessiva multiplicação das células, o que pode eventualmente dar origem a uma próstata hipertrofiada.



No início, a HBP pode não causar qualquer tipo de problemas. Muitos homens vivem com a condição até aos cinquenta, sessenta e tal anos com muito poucos sintomas - desde que o crescimento da próstata tenha tendência a ser para fora, ou principalmente para fora, na direcção oposta à da uretra prostática. O problema aparece quando o crescimento se espalha para dentro. Quando isto acontece, a próstata faz pressão contra o canal da uretra, o que interfere com a micção. Os problemas assim causados podem ser desde aborrecidos até sérios. Incluem uma necessidade mais frequente de urinar (especialmente à noite), um fluxo de urina mais fraco, micção hesitante, micção gota a gota, sensação de ardor ou desconforto durante a micção, incapacidade de urinar, traços de sangue na urina, ou sangue no sémen.



Os cientistas ainda não foram sequer capazes de indicar quais os grupos de risco para a HBP, apesar de que há indicações de alguns factores de risco associados com esta condição. Se tem mais de 50 anos e toma medicamentos para a hipertensão, anti-histamínicos ou medicamentos para gripes, há indicações de maior risco. Além disso, urina alcalina, tuberculose e uma história de infecções da bexiga e dos rins também têm sido ligados a um maior risco de HBP.



Quando o crescimento da próstata faz pressão contra as paredes da uretra de modo a seriamente diminuir o fluxo urinário, o problema torna-se sério. Esta condição chama-se uropatia obstrutiva (HBP). A esta altura, a bexiga não é capaz de se esvaziar completamente. A urina que fica na bexiga pode por isso dar origem a infecções o que causa um maior esforço para o sistema imunitário e agrava o problema existente. A contínua obstrução urinária pode eventualmente dar origem a insuficiência renal, infecções na bexiga ou pedras nos rins.



Como saber se tem HBP?



O sintoma mais óbvio de HBP são problemas com o fluxo urinário. Se tiver alguma das complicações com a micção que mencionámos acima, pode ter prostatite ou HBP. Se for a um urologista com qualquer destes sintomas, provavelmente vão-lhe fazer um dos exames que se seguem:



a) Exame rectal digital (ERD). É uma prova de rotina para diagnosticar o cancro da próstata. No entanto, também é utilizado para determinar se há problemas no recto. Uma vez que o recto está colocado imediatamente atrás da próstata, os médicos podem facilmente explorar a glândula introduzindo um dedo no recto e apalpando para detectar anomalias.



b) Ultra-sons. Um ultra-som transrectal da próstata (TRUS-P) é utilizado para obter uma imagem completa da glândula prostática. As imagens são projectadas no ecrã dum computador à medida que as ondas sonoras atravessam a próstata. O resultado é evidência visual de hipertrofia ou tumor.



A cirurgia quase nunca é a solução



A HBP pode ser dolorosa, mas sabe-se que mesmo os sintomas em homens com HBP obstrutiva variam no tempo, melhorando espontaneamente. Muitas vezes a condição pode ser gerida com sucesso só com supervisão médica - sem medicamentos ou cirurgia invasiva. O programa de tratamentos pode ser adaptado para as necessidades individuais de cada um. Não tenha medo de fazer perguntas ao seu médico - e não deixe que o convençam a fazer operações desnecessárias.



Em alguns casos, é necessário operar pacientes com HBP. Há uma indicação certa para a cirurgia - obstrução completa ou quase completa do fluxo urinário. Se a retenção urinária não for tratada imediatamente, pode dar origem a grandes complicações médicas. Como disse acima, a obstrução urinária contínua pode dar origem a infecções da bexiga, dos rins e danificar os rins permanentemente. Por isso quando se deixa de urinar ou a micção causa grande dor, cirurgia para remover a obstrução é a principal forma de terapia.



Não fique desencorajado se isto se aplica a si, ou se já foi operado. O programa em Oito Etapas pode ajudá-lo a manter a saúde da sua próstata e evitar que necessite de uma nova operação. Também é óptimo para aliviar os efeitos secundários duma operação que já tenha sido feita.



Hoje em dia, a ressecção transuretral da próstata (TUR/R) é grande parte das mais de 400.000  operações feitas por ano. Esta operação cirúrgica elimina partes da próstata através duma incisão feita na parte de dentro da uretra.



Cerca de 20 por cento dos pacientes que se sujeitam a esta operação terão que ser forçados a submeter-se à mesma uma segunda vez e 10 por cento ficam impotentes, segundo estudos elaborados nos Estados Unidos.